Ouvia gritos. Ouvia lágrimas. Mas, onde estavas tu? Onde foste tu parar? Para onde o levaste?!
O desespero apoderou-se.. Eu estava sozinha e aquele ser virou as costas, mas porquê? Não é a força do amor a maior deste mundo?! Onde estás tu?
Procurei-te e hei-de sempre procurar. Hei-de esperar ínfimas horas num café, na história da Rapunzel o príncipe acabou por subir pelo cabelo dela, porque não poderia ser igual?
Mas é verdade, eu vi. Vi aquele homem a virar as costas e caminhar sem qualquer dúvida. Ele não ía dar meia volta e ficar, não faz o estilo dele. Ele é senhor de si e, quando não é o meu senhor.. É senhor do mundo. Tudo aconteceu numa sequência ultra-sónica de minutos. Ele foi. Mas.. é ele o meu ele , ou é outro alguém que encarnou quem ele era e roubou o que era meu?! Quem lhe deu o direito de tirar o que é meu?
Eu corri por segundos que pareceram horas, corri sobre um mar que eu própria formei com as minhas lágrimas mas encontrei-te. Encontrei-te acorrentado naquele que era o teu corpo. Consegui encontrar-te no teu olhar! Estavas lá! Escondido! Preso!
Querias tanto sair que conseguiste. Ajudei a salvar-te, eu estive lá e ajudei.
Voltamos para casa os dois, abraçados, deitámo-nos e tu levantaste-te:
- Onde vais? perguntei eu
- Fechar a porta -respondeste tu- assim desta vez ninguém vai embora.

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